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Henrique Vieira Filho é jornalista, escritor, terapeuta, sociólogo, artista plástico, agente cultural, diretor de arte, produtor audiovisual, educador físico, professor de artes visuais, pós-graduado em psicanálise e perícia técnica de obras de arte.
Hoje é o Dia da Mentira! Ops, faltei com a verdade: a data correta é a de amanhã. Ou será que menti?
A tradição começou na França, em 1564, por ocasião da adoção do calendário gregoriano, quando o rei Carlos IX determinou que o ano novo passaria a ser comemorado em 1º de janeiro.
Ignorando a nova ordem, uma parcela do povo continuou comemorando na data à qual estava acostumada: 1º de abril, que passou a ser chamado de “dia dos tolos” pelo restante da população.
Santo Agostinho classificava as mentiras em oito categorias: sobre religião; as que ferem outros sem ajudar ninguém; as que ferem outros, mas ajudam alguém; as contadas pelo prazer de mentir; as contadas para agradar os outros em conversas casuais; as que não ferem ninguém e ajudam alguém; as que não ferem ninguém e salvam a vida de alguém; as que não ferem ninguém e salvam a “pureza” de alguém.
Na mais conhecida obra de Ariano Suassuna, as figuras de Chicó e João Grilo usam de todas as formas de mentira, justificadas como estratégia de sobrevivência, fazendo por merecer o perdão da Compadecida.
Tanto a literatura, quanto a mitologia são recheadas de “tricksters” (trapaceiros) cativantes, que desafiam as autoridades e a ordem estabelecida com ações as quais, mesmo que de moral discutível, conduzem a uma evolução social.
Prometeus rouba o fogo dos deuses, a favor da humanidade, assim como o polinésio Maui o fez com o sol e alimentos, e igualmente, a nossa deusa indígena caiapó Nhokpôktí.
Na China, o esperto Rei Macaco trapaceia com todos, assim como Loki, entre os nórdicos, as sedutoras Kitsunes japonesas e o nosso brasileiríssimo Saci.
Tanto Exu, das tradições africanas, quanto Hermes/Mercúrio (grego/romano) são “tricksters” com a importante missão de intermediar a humanidade junto aos deuses, traduzindo seus desígnios e cumprindo suas missões.
Um conto de autoria perdida diz que a Mentira convenceu a Verdade a tomar banho juntas e aproveitou para roubar suas roupas e sair pelo mundo, fazendo se passar pela outra. Mesmo despida, sua oposta saiu para desmentir, mas, ninguém acreditou, pois não há quem suporte a Verdade nua e crua!
Quer saber mais? Leia a edição extra, que estará nas bancas de todo o Brasil, neste 1o de abril!